Uma eterna construção

Screen Shot 2017 03 15 At 11.02.25 AM

Uma eterna construção

Era Outubro de 2012 quando percebi (mais precisamente, quando aceitei) que estava muito, mas muito insatisfeito com um pedaço da minha vida profissional. Já havia algum tempo que eu notava que algo não estava bom, mas aceitar abertamente minha insatisfação demorou uns bons meses… Afinal, nem sempre gostamos de ter total clareza de certas informações, já que sentir que fracassamos não costuma ser bacana, não é? E, de certa forma, era assim que me sentia: fracassado por ter escolhido um caminho que não estava fazendo mais sentido.

Afinal, tal caminho tinha sido muito bem planejado desde o final da minha graduação em Psicologia. No início de 2004, parti direto para o Mestrado pois tinha decidido que seria professor  (além de psicoterapeuta). Após 2 anos de muita ralação no Mestrado em São Paulo, indo e voltando toda semana de ônibus (pois continuei morando em BH), lá estava eu dentro de sala de aula, concretizando meus planos (isso em 2006).

Bom, vamos voltar à 2012, quando minha situação era a seguinte: eu era professor universitário de graduação em Psicologia numa instituição particular em Belo Horizonte, dava aula de tempos em tempos na pós graduação na PUC Minas e além disso tinha meu consultório particular no qual atuava como psicoterapeuta (esta parte da minha carreira sempre me agradou, e muito). Ganhava por volta de R$ 12 mil reais naquela época (um bom salário para alguém solteiro e sem filhos), tinha uma vida confortável, era um professor respeitado e muito querido. Mas estava infeliz com este pedaço da minha vida.

Entrava na faculdade me sentindo um ator, pois vestia uma máscara para entrar em sala de aula. Cumprimentava os alunos e demais professores com um sorriso no rosto, era sempre simpático e respeitoso, desempenhava meu papel e cumpria com meus deveres adequadamente, mas internamente eu sabia que eu não estava nem um pouco feliz de estar ali. Já havia mais ou menos um ano que eu estava daquele jeito.

Domingo à noite já começava o sofrimento, ao ouvir a “musiquinha do Fantástico”, me fazendo lembrar que o Domingo estava quase no fim e que no dia seguinte acordaria cedo para dar aula. Além disso, sinais visíveis de que eu não estava feliz eram o fato de eu comemorar loucamente a chegada dos feriados e ficar quase deprimido quando estavam acabando as férias e iniciando o semestre letivo. Lembro-me também de chegar em casa às 23h, morto de cansado, com uma “pizza” gigante debaixo do braço, sem energia.

Tal insatisfação cresceu tanto que decidi procurar ajuda. Já tinha feito psicoterapia por alguns anos, no passado, e tinha sido muito produtivo, mas havia entendido que era hora de experimentar um outro tipo de ajuda, já que tirando esta insatisfação profissional, tudo o mais estava caminhando bem. Foi quando conheci o Coaching.

Nem cheguei a passar por todo o processo; fiz apenas 5 sessões e estas foram suficientes para eu dar vazão ao que, no fundo, eu realmente queria e estava sem coragem de fazer: pedir as contas na faculdade e viver de forma autônoma.

Encurtando um pouco a história, em Agosto de 2013 “me lancei no mercado” como “Ghoeber Morales Terapia & Coaching”. Sim, gostei tanto do Coaching que acabei me tornando um.

Em Agosto de 2013, tudo o que eu sabia era que dali pra frente eu ia ser meu próprio chefe, continuar oferecendo meu serviço de psicoterapia e agora também o de Coaching. Utilizei o dinheiro da rescisão contratual com a faculdade (acabei conseguindo ser desligado pela empresa) para construir um site e comecei a vencer meus medos e minha vergonha de “aparecer nas redes sociais”. Sim, eu era muito crítico comigo mesmo, e além disso tinha receio do julgamento dos meus colegas psicólogos e professores. Vale lembrar que em 2013, esse boom das redes sociais e de marketing de conteúdo estava ainda mais no começo.

Soube posteriormente de ex-alunos e colegas psicólogos comentando coisas desagradáveis sobre o meu posicionamento. Já esperava, pois certamente nunca agradaria (e nem agradarei) a todos (felizmente). Passados quase 4 anos, sei que muitas destas pessoas acabaram “seguindo os meus passos” e até se espelharam em mim para fazer algumas mudanças em suas vidas.

De lá para cá, com clareza de onde eu queria chegar, fui experimentando várias estratégias que eu delineei em 2013. Algumas deram muuuuito certo, outras foram uma completa furada! Dou risada até hoje de algumas destas enrascadas em que entrei. No frigir dos ovos, muito aprendizado. Até hoje, claro! Além disso, muitas coisas inesperadas e não planejadas obviamente acabaram acontecendo também. Fui filtrando, separando o joio do trigo. Escolhas, o tempo todo.

Hoje, posso dizer com tranquilidade que deixar de dar aula foi a melhor escolha que fiz recentemente. Faria tudo de novo, se preciso. Não que eu não goste de dar aula e ser professor, mas me libertar do sistema que está por trás de uma instituição de ensino foi fundamental para a minha felicidade.

Passados mais de 4 anos, hoje me sinto pleno. Continuo trabalhando com o que amo (a Psicologia) oferecendo o serviço de Psicoterapia, além de Coaching em meu consultório particular; tenho palestrado e oferecido workshops organizados por mim ou contratados por outras empresas; sou o trainer de uma Formação em Coaching específica para psicólogos (portanto continuo sendo professor, porém de uma forma diferente, que me agrada). Tudo isso sendo meu próprio chefe em 90% do tempo, começando a trabalhar fora de casa apenas às 13h, ganhando mais, e com tempo para outras coisas importantes da vida.

Este texto, por exemplo, está sendo escrito em pleno Domingo de sol (e foi programado para você receber hoje, Terça-feira) e o sentimento que impera neste momento é de satisfação por poder compartilhar um pouco do que tenho vivido com você. Quando a gente ama o que faz, não importa se é Domingo, se amanhã é Segunda-feira… Quando trabalhar com sentido faz parte da sua rotina, tudo muda de figura!

E, claro, continuo pensando no futuro, revendo sempre onde quero chegar, delineando novas estratégias, cuidando do presente. É uma eterna construção.

Resolvi escrever este “textão” pois acredito que saber a história das pessoas sempre nos faz bem: podemos aprender com elas, parar para avaliar a nossa trajetória, repensar certas questões, nos identificar e nos reconhecer no outro.

O que você ficou pensando à medida que conhecia um pouco mais da minha história?

Além disso, como parte da minha missão de vida é ajudar as pessoas a construir uma vida com mais sentido, penso que um texto assim, de cunho pessoal, pode ajudar de alguma forma alguns de vocês, caso se permitam olhar a fundo para a vida atual que têm trilhado, bem como o desejo futuro vislumbrado.

Outra forma pela qual tenho conseguido impactar pessoas é através de um workshop delineado por mim, e já na 13 edição, no qual eu ensino estratégias e maneiras de atingir algo que seja importante para você, em sua vida profissional e/ou pessoal.  Como eu passei por uma virada na minha vida, entendo de perto eventuais sabotagens, inseguranças e medos que costumam permear este caminho. Caso tenha interesse em ver como funciona e participar da edição de 7 de Abril pagando um valor diferenciado, basta clicar aqui.

Grande abraço e vou adorar receber um feedback seu sobre como este texto te tocou.

Ghoeber Morales

2 Comments

  1. Daniela Sampaio Frutuoso
    Daniela Sampaio Frutuoso03-15-2017

    Ótimo texto, ao ler sua história, o texto nos faz viajar na nossa própria vida e nos incentiva a buscar novos caminhos . Parabéns

    • Ghoeber Morales
      Ghoeber Morales03-30-2017

      Daniela, obrigado pelo feedback. Um abraço pra você!

Deixe uma Resposta