Todo dia, sempre igual

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Todo dia, sempre igual

Faz 10 anos que moro no mesmo apartamento. E, desde o primeiro dia em que me mudei pra cá, até os dias de hoje, pontualmente às 07:00h posso escutar o soar dos sinos do Mosteiro de São Bento, que fica próximo da minha residência.

Não, os sinos não são acionados por nenhuma máquina. Todo santo dia, entre Segunda e Sexta-feira, alguém executa este trabalho. Até hoje nunca contei quantas badaladas são dadas, mas confesso que escrevendo este texto fiquei curioso para saber. Ah, e aos Sábados e Domingos, eles soam às 08:00h. Também não sei exatamente o motivo de ser uma hora mais tarde (posso imaginar), mas sei que não há falhas. Pelo contrário, há regularidade. Tá aí algo de extrema relevância para ser bem sucedido em diferentes vertentes.

Imagine como seria se você fizesse atividade física regularmente? Como seria se você de fato fizesse consumo, de forma regular, de alimentos saudáveis? Se regularmente você tivesse o hábito de separar 20% de seu orçamento mensal para eventuais contratempos ou poupança? Se usasse protetor solar todos os dias? Ou mesmo investisse uma hora do seu dia para ler algo de seu interesse?

Se você já faz, pode avaliar os efeitos.

Regularidade. Manutenção. Continuidade. Nos dias de hoje, tidos como impossíveis por muitos. Desculpas não faltam: ânimo, tempo, vontade, dinheiro, iniciativa (estes sim, faltam).

Eu sei, regularidade em excesso também pode trazer desânimo, apatia, preguiça. Pode ficar sem graça. É verdade. No entanto, não restam dúvidas de que uma atividade realizada com regularidade provavelmente produz bons resultados. Pelo menos temporariamente. Muitos empreendedores, celebridades, profissionais autônomos, enfim, pessoas do nosso convívio e que são tidas como modelos de sucesso comentam que o principal ingrediente para terem atingido o topo foi justamente manter a regularidade, ou seja, insistir em uma dada ação (ou num conjunto delas).

Quem de nós nunca desistiu depois de algumas poucas tentativas não muito bem sucedidas? Ou mesmo se contentou em chegar onde chegou, mesmo que aquele lugar não fosse o mais desejado?

Penso que a regularidade produz consistência e credibilidade.

Quando um amigo muda o jeito de se comportar com você, quando ele não age de forma regular, é normal haver algum tipo de estranhamento. A gente se acostuma com padrões. Experimente agir de forma não regular e veja o que acontece.

Inúmeros experimentos científicos já foram realizados, com diferentes espécies de animais, mantendo-se regular uma dada condição experimental (por exemplo, um rato recebendo água toda vez que pressiona um dispositivo). Caso ocorram alterações nesta regularidade (o rato deixar de receber água ao pressionar o dispositivo), observa-se geralmente um aumento na frequência dos comportamentos que eram responsáveis pela ocorrência de um dado resultado (observou-se que o rato passou a pressionar o dispositivo com uma frequência maior ainda, dado que no passado esta ação sempre foi seguida de água). Além disso, são esperadas mudanças na forma de se comportar do animal, ou seja, há uma variabilidade em suas ações como uma maneira de entrar em contato novamente com a água. Estes achados são igualmente válidos para o comportamento humano.

Recentemente, foi divulgado um estudo que aponta que são necessários 21 dias de ações regulares para que elas se tornem um hábito. – “Nossa, 21 dias fazendo as mesmas coisas?”, você pode estar se perguntando.

Sim, pense bem: o que você já faz com regularidade? Sai com os amigos para beber uma cerveja e assistir ao futebol todas as Quartas? Fica um bom tempo acessando suas redes sociais no celular antes de dormir? Checa seu peso na balança do banheiro 3 vezes ao dia? Talvez você identifique ações que não te agradam tanto, mas que já são parte do seu dia a dia, que ocorrem com regularidade, sem você nem mesmo notar… Como será que elas foram construídas?

O meu ponto aqui é justamente este: a regularidade pode ser construída por você. E empregada tanto para ações que te tragam benefícios quanto para ações que gerem malefícios.

Somos tantas vezes “engolidos” pelo agito do cotidiano que perdemos a referência de que somos, simultaneamente, produto e produtores da nossa história.

Agora, então, considerando tudo aquilo que faz sentido e realmente importa para você, pense num resultado que você deseja alcançar. Algo que seja de extrema relevância e, ao mesmo tempo, desafiador… Pensou?

Quais ações você vai, então, desempenhar com regularidade, daqui pra frente, para atingi-lo?

E aí, está disposto? A escolha é sua!

Grande abraço,

Ghoeber Morales

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